Em Sergipe, 96% dos trabalhadores dizem “NÃO” ao Imposto Sindical
Entre os dias 30 de março a 15 de maio, mais de 1.100 trabalhadores, de todos os cantos de Sergipe, se mobilizaram para o Plebiscito pelo fim do Imposto Sindical, organizado pela Central Única dos Trabalhadores.
Com uma votação expressiva, professores, servidores públicos de varias categorias, trabalhadores da iniciativa privada mostraram que a luta pelo fim do imposto sindical tem de fundo um debate mais aprofundando, da própria concepção sindical que tem na base o direcionamento das suas ações, na orientação política e no financiamento da entidade.
O fim deste tributo, que desconta um dia de salário por ano de todos/as trabalhadores/as que têm carteira assinada, é fundamental para a classe trabalhadora brasileira conquistar a liberdade e a autonomia sindicais, bandeiras históricas que fazem parte dos princípios de criação da Central. "Já fizemos várias lutas contra a cobrança. A diferença, este ano, é que a CUT decidiu consultar diretamente os maiores interessados para saber o que acham do imposto, indo às ruas, falando com os/as trabalhadores/as em locais de grande concentração, onde estivemos com a militância CUTista nas portas de fábricas, de centros de compras e em todos os locais de trabalho, e conseguimos pautar essa discussão, o nosso resultado é um símbolo disso", explicou Roberto.
A professora Ivonia Ferreira, Secretária de finanças da CUT-SE e uma das responsáveis pelo Plebiscito no Estado, avalia como positiva a adesão dos trabalhadores à campanha promovida pela CUT.
“Os trabalhadores entenderam que a Campanha pelo Fim do Imposto Sindical, promovida pela CUT, gira em torno do fortalecimento da organização dos trabalhadores e não da partilha dos trabalhadores. A disputa que vem existindo pelo Imposto Sindical vem gerando uma fragmentação no universo sindical. As reivindicações deixaram de ser pela defesa da classe trabalhadora e passaram a ser por questões meramente financeiras, criando sindicatos e centrais que se não originam pela defesa dos trabalhadores”, afirma Ivonia.
Segundo o Ministério do Trabalho, em 2011 foi recolhido R$ 1,6 bilhão dos trabalhadores com o imposto. Pouco mais de R$ 115 milhões foram repassados às centrais. O resto é dividido entre sindicatos, federações e confederações e o Ministério do Trabalho. A proposta da CUT é trocar o imposto por uma contribuição voluntária, com valor votado em assembleia. Dessa forma, os próprios trabalhadores decidiriam com qual percentual a categoria iria empenhar para manter a estrutura sindical. Sem o dinheiro fácil do imposto, sindicatos que não têm nenhuma luta ou representatividade estão fadados a desaparecer ou dar lugar a diretorias comprometidas com as lutas de suas categorias.
Resultado Plebiscito pelo Fim do Imposto Sindical em Sergipe:
Brancos – 13 ............... 1,2%
Nulos – 0 ..................... 0,0%
SIM – 27 ..................... 2,4%
NÃO – 1080 ............... 96,4%
Total de Votantes: 1.120
Fonte: site da CUT Sergipe

Na impossibilidade, por problemas de saúde, de fazer esse debate de forma pessoal e direta, como sempre fiz, venho me dirigir à sociedade sergipana, de forma fraterna e honesta, para defender as minhas posições diante do que vem sendo colocado por parte da imprensa e pelo governador Marcelo Déda, do meu partido, o PT, a respeito do meu pronunciamento na Assembleia Legislativa, do dia 28/5, em defesa dos professores sergipanos, meus colegas de profissão, de vida e de lutas.
Reitero que em momento algum do meu discurso busquei atingir a honra ou a pessoa de Marcelo Déda, mas sim, fiz uma crítica com linguagem política e ideológica – jamais de xingamento, porque esta não é, e nem nunca foi a minha prática –, ao seu governo e ao modo como estão sendo tratados os professores. E governos, pelo que entendo, são impessoais.
Para os que querem distorcer as minhas palavras, sugiro ouvir o áudio do meu pronunciamento, que está disponível no site da Assembleia Legislativa de Sergipe.
Não posso deixar de me indignar com a posição do meu governo e do governador de insistir no descumprimento do pagamento do piso a todos os professores e de buscar jogar a população contra a categoria. Não é esse o papel de um estadista ou de um governo progressista.
É importante que a sociedade saiba que as posições nacionais do PT relativas à Educação e ao Piso Salarial Profissional Nacional do Magistério são as mesmas que defendo, porque sou partidária e, portanto, estou caminhando em conformidade com o que defende o meu partido.
As resoluções congressuais do PT são deliberações que pautam os rumos do partido seja em que instância for. Portanto, o companheiro Marcelo Déda deveria ler melhor as resoluções do 4º Congresso Nacional do PT. Nelas se lê que:
“O PT deve se empenhar para aprovação de um Plano Nacional de Educação (PNE) que responda aos anseios, esperanças e necessidades da sociedade brasileira com universalização e ampliação do atendimento escolar da creche à pós graduação; valorização social dos profissionais da educação com piso salarial, carreira e formação; (...). Parte integrante desse processo é a consolidação, ao nível dos estados e municípios, do pagamento integral do Piso Salarial Nacional aos trabalhadores e trabalhadoras da educação. Para tanto, o PT deve envidar todos os esforços na implementação da lei específica, considerada constitucional pelo STF.”
Como também que “O PT reafirma sua disposição de diálogo com a Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS), com o movimento sindical, em particular com a Central Única dos Trabalhadores, (...).”
São resoluções do nosso partido. E não estamos vendo-as serem respeitadas em Sergipe.
Neste momento, é muito mais fácil buscar direcionar o debate para uma questão pessoal entre mim e o governador, como tentam plantar na imprensa, para desviar o foco do debate mais importante e central, que é a luta dos professores pelo cumprimento da Lei do Piso e a superação do impasse que se estabeleceu e da greve, que já supera os 48 dias. Desviar esse foco é o que mais interessa hoje ao governo, mas não à sociedade, que espera uma solução para o conflito, que penaliza alunos, mas também professores, pois são estes que terão que repor todas as aulas para fechar o ano letivo.
E se a greve se estende, isso não pode ser creditado apenas aos professores, que lutam por um direito conquistado com muita luta e referendado pelo Supremo Tribunal Federal, além de legitimado pela sociedade. Assim, cabe à sociedade perguntar que esforço tem feito o governador para superar essa greve? Nenhum. Prefere manter a sua postura intransigente em lugar de dialogar com a categoria e apresentar alguma proposta que traga avanço.
Por fim, reforço que sempre pautei a minha vida na luta pelo direito dos trabalhadores, em especial dos meus queridos professores, e não é por estar diante de um governo do meu partido que arrefecerei desta luta, como muitos já o fizeram, para atender a interesses pessoais. Não sou desse tipo de político. Sempre fui muito honesta, leal e franca com as pessoas. E assim me manterei.
Neste sentido, reitero o meu apelo para que o governador Marcelo Déda, como um estadista, abra canal de diálogo com o magistério e com o nosso sindicato, o SINTESE, com vistas ao pagamento do piso a todos os professores e à superação do impasse que se estabeleceu, para que professores e alunos voltem às suas atividades normais e que trabalhadores da educação e governo voltem a ter uma agenda comum e construtiva.
Agradeço pelos vários apoios que tenho recebido. Vou continuar na luta pela educação pública de qualidade com valorização do magistério. Sempre!
Ana Lúcia Vieira Menezes
Professora e Deputada Estadual – PT
Aracaju (SE), 04 de junho de 2012.